Impacto do tipo de válvula transcateter no explante cirúrgico após troca valvar aortica transcateter sem sucesso: o registro internacional EXPLANT-TAVR

26

Título do artigo original: Impact of transcatheter heart valve type on outcomes of surgical explantation after failed transcatheter aortic valve replacement: the EXPLANT-TAVR international registry

Referência: EuroIntervention 2024;20:e146-e157.

Autor do artigo original: Syed Zaid, MD;

Co-autores: Neal S. Kleiman, MD; Sachin S. Goel, MD; Molly I. Szerlip, MD; Michael J. Mack, MD; Mateo Marin-Cuartas, MD; Siamak Mohammadi, MD; Tamim M. Nazif, MD; Axel Unbehaun, MD; Martin Andreas, MD, PhD; Derek R. Brinster, MD; Newell B. Robinson, MD; Lin Wang, MD; Basel Ramlawi, MD; Lenard Conradi, MD; Nimesh D. Desai, MD, PhD; John K. Forrest, MD; Rodrigo Bagur, MD, PhD; Tom C. Nguyen, MD; Ron Waksman, MD; Lionel Leroux, MD; Eric Van Belle, MD; Kendra J. Grubb, MD, MHA; Hasan A. Ahmad, MD; Paolo Denti, MD; Thomas Modine, MD, PhD, MBA; Vinayak N. Bapat, MBBS; Tsuyoshi Kaneko, MD; Michael J. Reardon, MD; Gilbert H.L. Tang, MD, MSc, MBA; on behalf of the EXPLANT-TAVR registry investigators

Histórico e Objetivo: A informação sobre o impacto do tipo de valva aórtica transcateter (THV) quanto ao desfecho na retirada cirúrgica dessas próteses após falha de implante é limitada. O objetivo do trabalho é determinar os desfechos após explante cirúrgico entre válvulas balão expansíveis (BEV) versus válvulas autoexpansíveis (SEV).

Métodos: De novembro de 2009 até fevereiro 2022, 401 pacientes entre 42 centros do registro EXPLANT-TAVR foram submetidos a retirada de TAVR com datas diferentes de admissão entre a cirurgia e o procedimento inicial de implante de TAVR. Valvas mecanicamente expansíveis (n=10, 2.5%) foram excluídas. Os desfechos do explante de TAVR foram comparados entre 202 (51.7%) falhas com BEV e 189 (48.3%) com SEV.

Resultados: Entre 391 pacientes analisados (média idade: 73.0±9.8; 33.8% mulheres), a mediana do tempo entre procedimento índice e explante de TAVR foi de 13.3 meses (intervalo do interquartil 5.1-34.8), sem diferenças entre os grupos. As indicações para explante de TAVR incluem endocardite (36% com SEV vs 55.4% com BEV; p<0.001), leak paravalvar (21.2% vs 11.9%; p=0.014), deterioração estrutural valvar (30.2% vs 21.8%; p=0.065) e mismatch prótese-paciente (8.5% vs 10.4%; p=0.61). Houve uma menor tendência de cirurgias de emergência/urgência no grupo SEV (52.0% vs 62.3%; p=0.057) e maior de troca de raiz de aorta (15.3% vs 7.4%; p=0.016).  Procedimentos cardíacos concomitantes ocorreram em 57.8% dos pacientes, incluindo cirurgia de revascularização miocárdica (24.8%), cirurgia valvar mitral (38.9%) e tricúspide (14.6%), sem diferença entre os grupos.  As taxas de mortalidade intra hospitalar, em 30 dias, 1 ano e de AVC foram similares entre os grupos (p>0.05), sem diferença na mortalidade acumulada em 3 anos (log-rank p=0.95). Nas análises multivariáveis, cirurgia mitral concomitante foi um preditor independente de mortalidade em 1 ano após explante de BEV (HR 2.00, 95% CI: 1.07-3.72) e SEV (HR 2.00, 95% CI: 1.08-3.69).

Conclusões: No registro global EXPLANT-TAVR, os grupos de BEV e SEV tiveram diferentes indicações de explante cirúrgico, com maior troca de aorta quando usadas próteses SEV, mas sem diferença de mortalidade e morbidades. Maiores refinamentos nas técnicas de explante de TAVR são importantes para melhora dos desfechos.